Liderar para estabelecer o aprendizado contínuo

É insuficiente o aproveitamento dos talentos dos profissionais nas empresas, comprometendo seriamente o resultado. Estabelecer o aprendizado contínuo é fundamental para resolver esse problema no negócio, impactando positivamente no desenvolvimento humano, além de contribuir para uma sociedade melhor.

Líderes que assumem esse compromisso elevam o nível da inteligência coletiva nas empresas, incentivando o trabalho interfuncional. Ao fazerem isso, tornam-se imprescindíveis agentes estruturadores de uma Cultura de Resultados e Aprendizagem.

Analise o quanto ainda tende a ser embrionário o intercâmbio entre os profissionais de áreas diferentes, numa empresa. Há excelentes oportunidades de melhorias que podem transformar equipes ilhadas e inexpressivas em equipes interfuncionais engajadas.

A causa deste isolamento entre as áreas é sistêmica e a Cultura precisa assumir que a colaboração útil interfuncional é um comportamento esperado. A mudança necessária é patrocinada pelas lideranças que apoiam e reconhecem que o aprendizado contínuo otimiza o resultado do negócio.

A caminhada evolutiva inicia-se quando há respeito ao papel de cada um, independente da área e do status atribuído ao cargo. É importante que os profissionais percebam o quanto suas ações afetam a todos. Quando são capazes de criar vínculos virtuosos com outros ocupantes, estão aptos para compartilharem conhecimentos e experiências.

Exercer a liderança promovendo a união útil de todos, é mandatório e não mais uma opção. Proporcionar o aprimoramento dos talentos dos profissionais para responderem adequadamente aos desafios e às crises inerentes ao negócio, é imprescindível para a empresa se manter no mercado.

Como seu negócio (re)age quando o assunto é aprendizagem?

Crises acontecem em todos os lugares a todo o momento. No contexto da gestão, crise é somente uma categoria de problema e o seu enfrentamento define o nível da nossa evolução. Historicamente, evolução da humanidade e das nossas relações, estreitou fronteiras culturais, comerciais e sanitárias.

A tal globalização – termo que nos parece antiquado ou desgastado – vem ganhando ondas de amplitude ao passo que nossos canais de comunicação evoluem. Da prensa de Gutemberg, passando pelo jornal, o telégrafo, o telefone, o rádio, a televisão, o fax, a telefonia celular até chegarmos na internet, estamos falando de pouco mais de 500 anos. Se considerarmos somente o tempo da televisão em diante, falamos de algo em torno de 95 anos e se pensarmos na internet com banda larga, pouco mais de 25 anos. E os smartphones então, recentes 10, talvez 15 anos de efetividade.

O cenário pandêmico que estamos vivendo em 2020 é consequência da nossa evolução, no meu entender. A última geração que viveu algo parecido, anda hoje pelos 100 anos de idade (são poucos para nos contar a história), sendo que àqueles tempos, a expectativa de vida era de 50 anos em média e hoje beira os 80 anos.

E o que isso tudo tem a ver com o seu negócio? Tem a ver em como ele aprende a cada ciclo. Todos os dias, semanas, meses, anos, o seu negócio cria a oportunidade de gerar um ciclo de aprendizagem. O que nos leva a alguns questionamentos: que aprendizados seu negócio está (de fato) usufruindo a cada ciclo? Como você sabe se seu negócio está em evolução ou em involução? O seu resultado é uma esperança ou é um objetivo a ser alcançado com ações definidas e ciclos de revisão para acompanhamento e aprendizado? Quais competências novas seu negócio precisa desenvolver e quais já não servem mais para a atualidade e precisam ser “desaprendidas”?

O cenário está posto. Podemos agir como espectadores ou como protagonistas. Podemos esperar que o mercado se mova ou escolher mover o mercado.

E o que fazer? Reflita sobre o que seu negócio aprendeu nos últimos anos que podem ser aplicados agora! Observe o que os seus clientes desejam nesse momento – que problemas eles querem resolver, o que eles mais precisam e o que seu negócio consegue entregar e/ou resolver para eles. Alinhe as expectativas do seu negócio com as necessidades e expectativas do seu cliente – isso contribuirá para uma melhor percepção de valor por parte do cliente e a construção de resultados mais consistentes para o seu negócio.

Feito isso, aja e, ao terminar o ciclo, avalie os aprendizados para o início do novo ciclo! Sucesso a todos em suas jornadas!

Como o seu negócio atende ao desafio do desenvolvimento das pessoas?

Defender que treinamento e desenvolvimento é um dos pilares para o sucesso das organizações, não é novidade alguma. Existe consciência em quem empreende, de que o crescimento dos resultados passa pelo crescimento das competências do time e essas, por sua vez, precisam estar intimamente alinhadas com as estratégias do negócio.

Certamente se percebe, nas últimas décadas, uma maior dedicação das empresas em desenvolver os seus colaboradores. Entre vários fatores que contribuem para este aumento, destaco o crescimento da oferta de cursos de curta, média e longa duração (incluindo aí os cursos técnicos e superiores) e o incremento da tecnologia, permitindo cada vez mais a flexibilização desta oferta, com destaque a prática do ensino à distância.

Estes avanços têm permitido às empresas e profissionais exercerem maior preparo para os desafios do mundo corporativo. Entretanto, ainda há significativa distância entre o discurso e a prática efetiva. Como contribuição ressalto três aspectos a serem observados para que se aumente essa efetividade:

  1. Quais competências chave da organização necessitam de constante desenvolvimento? Por exemplo, se o negócio é uma oficina mecânica, conhecer sobre as atualizações tecnológicas dos automóveis é essencial para a entrega dos serviços prestados, mas também saber para onde está indo o mercado de automóveis é fundamental para a perenidade do negócio.
  2. Como identificar claramente quais são as necessidades de capacitação da empresa? A origem das necessidades vem dos processos da empresa, o que nos leva à equação: (“o que precisa ser feito” + “quais competências necessárias para fazer”) – (qual o nível de competência atual de cada pessoa da equipe”) = “lacunas de necessidades de capacitação da equipe”.
  3. Como definir as prioridades de capacitação e quem deve ser preparado? Quanto as prioridades, a relevância está no que gera mais impacto direto no resultado. Já quanto a escolha de quem deve ser preparado pode estar associado diretamente às funções exercidas, como também ser um modo de reconhecimento ao profissional. Assim capacita-se com mais objetividade e se otimizam os recursos investidos.

O efeito dessas ações na organização é o fortalecimento da cultura do aprendizado contínuo. Tão relevante quanto reter os talentos é reter, atualizar e disseminar o conhecimento corporativo. Todas as empresas têm a cada ciclo diário, semanal, mensal… a oportunidade de aprender com o resultado do seu desempenho e, com isso, transformar a empresa em um ambiente que aprende e ensina permanentemente.

Desejo sucesso nessa jornada!